O ano que não terminou


*Originalmente, postado em http://livrolevesolto.tumblr.com, em 3 de junho de 2013.

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Demorei mais do que o normal para atualizar o tumblr. Por uma boa causa. Ou, pelo menos, uma causa plausível.

Nos últimos dias, literatura, para mim, se resumiu a 1984, obra-prima de George Orwell. Tinha o livro há alguns meses, mas ainda não havia parado para ler. Comecei e, aí, o que não consegui foi parar.

Como todo clássico, tem uma história mais ou menos conhecida pelo grande público. A partir do protagonista Winston Smith, Orwell retrata um mundo imaginário dividido entre três grandes países (Oceânia – onde Winston mora, Eurásia e Lestásia). Seria a ordem mundial no ano em que a história se passa (1984, obviamente). O detalhe é que a obra foi escrita na década de 1940.

Orwell destaca-se pela habilidade de descrever ambientes, objetos, gestos e pensamentos. Embora minucioso, raramente chega a cansar o leitor. Pelo contrário: consegue conduzi-lo sempre às próximas páginas. Eu, particularmente, costumo ler no final da noite, antes de dormir. E, nos últimos dias, o sono entrou em conflito frequentemente com a ansiedade pela conclusão de cada capítulo.

O personagem Winston Smith é um funcionário do governo de Oceânia, uma ditadura comandada pelo Partido e simbolizada na figura do Grande Irmão, “que tudo vê” (daí, a ligação com o programa Big Brother). Responsável por reescrever os registros históricos, de acordo com os interesses atuais do Partido (que quer controlar o passado, o presente e o futuro), Winston rebela-se contra o sistema e busca uma saída nos proletas, a grande massa da sociedade que vive à margem de todas as ações políticas.

Como professor de literatura ou redação, sem dúvida, indicaria o livro para que os alunos traçassem analogias com o mundo contemporâneo. Embora a obra tenha sido apontada como uma crítica feroz a regimes totalitários ou ao socialismo, acredito que ela traz uma luz necessária à interpretação e compreensão da pretensa democracia vivida, hoje, pela maioria dos países ocidentais.

Por trás de toda a fantasia de Orwell – incluindo as teletelas (uma espécie de televisão que transmite e capta ao mesmo tempo), o idioma Novafala, a ordem mundial e o sistema político de Oceânia -, há muito de mundo real a se enxergar. Diferenças de interpretação à parte, acho que resta uma certeza: 1984 não ficou para trás.

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