Livro Leve Solto entrevista: ADRIANA CALCANHOTTO


adri“Não entendo a vida sem poesia” – Adriana Calcanhotto

Oito anos não é só o título de um dos maiores sucessos de Adriana Calcanhotto (ou Partimpim) – aquele do “Por que você é Flamengo e meu pai, Botafogo? O que significa impávido colosso?”. É, também, uma idade marcante para a cantora e compositora gaúcha. Foi aos 8 que ela abriu as portas da literatura, graças a um livro de Clarice Lispector. Hoje, aos 48, Adriana tem certeza: naquele momento, sua vida mudou.

Da experiência pessoal, aliás, ela extraiu a convicção do quanto a leitura pode ser transformadora na vida de meninos e meninas. Não à toa, em 2013, lançou a Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira, um livro infanto-juvenil que ela própria organizou e ilustrou. A obra é uma coletânea de 110 poemas de diversos autores, como Vinícius de Moraes, Olavo Bilac, Mário de Andrade e Paulo Leminski.

A antologia é a quinta experiência literária da artista. Em 2003, ela lançou o livro-disco O poeta aprendiz, em que ilustra e canta a música-título, composta por Vinícius de Moraes (vídeo abaixo). No mesmo ano, publicou Algumas letras, uma reunião de composições retrabalhadas no papel. Em 2008, foi a vez de Saga Lusa, relato do surto provocado por medicamentos que enfrentou durante uma turnê em Portugal. Em 2011, Adriana fez os desenhos que acompanham o texto do artista plástico Vik Muniz, na obra infantil Melchior, o mais melhor.

Ao Livro Leve Solto, Adriana Calcanhotto falou sobre essa ligação com o mundo das letras, passando pelas descobertas na infância, pela experiência como escritora e pelas suas maiores referências. Confira a entrevista a seguir.

Recentemente, você organizou um livro, uma coletânea de poemas voltada ao público infantil (Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira). De onde surgiu essa ideia e como foi a receptividade da obra no mercado?

A ideia surgiu da minha necessidade. Procurava pelas prateleiras um livro assim, até que resolvi fazê-lo eu mesma. O livro foi muito bem recebido, pude constatar que não era só eu que sentia falta de uma antologia como essa, fiquei feliz com isso.

Qual a sua pretensão ao publicar poesia para crianças? Acredita que esse contato pode influenciar de alguma forma o desenvolvimento delas?

Exatamente, para que entrem em contato com a poesia bem cedo. Um poema aprendido na infância nos acompanha para sempre.

Como foram seus primeiros contatos com a poesia e a literatura? O que lhe agradava? Houve alguma experiência marcante ou algo que lhe leva a incentivar o hábito da leitura?

Titilita, a quem dedico o livro, minha tia Istellita, professora de língua portuguesa, sempre me passou livros, desde muito cedo. Foi ela quem me alcançou A mulher que matou os peixes (de Clarice Lispector) quando eu tinha oito anos, e isso marcou minha vida pra sempre. Lembro da sensação de estar sendo tratada como leitora e não como “criança”, nunca mais fui a mesma. Com a poesia entrei em contato mais tarde, através da MPB e de um livro de Oswald de Andrade que encomendei no Círculo do Livro.

Além da antologia poética, você publicou Saga Lusa, um livro que trata de uma “aventura” durante uma turnê em Portugal. Foi a sua primeira experiência como escritora? Por que teve vontade de relatar aquele momento?

Precisei escrever para sobreviver àquela situação tão difícil e por algum motivo tive necessidade de publicar depois que tudo passou. Não sei explicar o motivo.

Você tem o costume de escrever, mesmo que não seja para publicar em livros ou transformar em canções?

Não tinha, mas agora estou escrevendo para [o jornal] O Globo uma coluna quinzenal e tenho gostado muito. É bom ter que entregar um texto de quinze em quinze dias, obriga ao exercício da escrita.

Quando um texto seu vira música? Você para e pensa que vai compor, ou escreve alguma coisa e, depois, percebe que pode torná-la uma canção?

Não, pelo contrário, as canções nascem a partir da música, nunca sentei para escrever uma letra que não estivesse ligada a uma melodia.

Em outras reportagens, li que Vinícius de Moraes é seu poeta favorito e, também por ocasião do centenário, foi a figura central da antologia poética que você organizou. A sua relação com com a filha dele, Suzana, contribuiu de alguma forma para a sua ligação com a literatura, como escritora ou leitora?

Vinícius de Moraes é um dos meus poetas preferidos, não o único, não tenho um só poeta de preferência. Sempre o admirei pelo grande poeta que foi e por sua generosidade em escrever para as crianças, ele foi grande inspiração na aventura Partimpim.

Pretende lançar outros livros? Está trabalhando em algum, sobre o qual já possa falar um pouco?

Estou trabalhando muito lentamente em um livro, mas não posso falar ainda, está sendo concebido nas horas vagas.

Como a literatura e a leitura influenciam na sua forma de ver o mundo e na sua profissão?

Não entendo a vida sem poesia.

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