Otimismo literário


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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Hoje, 7 de janeiro, é o Dia do Leitor no Brasil.

Quando soube disso, pensei em publicar sobre os bons (?) e velhos números de leitura no país, começando, é claro, pelo clássico, do Instituto Pró-Livro e do Ibope Inteligência: o brasileiro lê, em média, 4 livros por anos (e 2,1 deles até o fim). Somaria a ele algumas das recorrentes pesquisas ou reportagens que indicam a pouca capacidade de interpretação de texto e redação dos estudantes e, quem sabe, uns dados curiosos sobre o desconhecimento literário da nossa população.

Mas, ainda no início das buscas de estatísticas, desisti. E não foi por preguiça de coletá-las. Só achei que seria, de certa forma, chover no molhado… E continuar chorando sobre o leite derramado.

Decidi, em vez disso, escrever uma breve reflexão sobre o que há (ou pode haver) de positivo para o campo da literatura, com base no cenário atual e em um futuro próximo. Escolhi apenas três pontos, para não cansar ninguém – e isso já tem a ver com o primeiro.

A leitura na internet e nos dispositivos móveis, para o desespero do mais antigos (e dos jovens com algum espírito de velho, como eu), parece mesmo estar condicionada a textos menores, mais diretos, concisos, de preferência acompanhados por imagens, vídeos, links ou outras coisas interativas. Faz parte das características do meio, na sua relação com os usuários, e raramente isso poderá ser quebrado. Esse quadro, que sempre encarei com maus olhos, também pode ter seu lado bom.

Nos últimos meses, sobretudo graças ao trabalho de atualização do blog, tenho percebido que a internet tem sido mais do que um importante canal de comercialização de livros. Até mesmo nas redes sociais, vem se tornando um espaço cada vez mais relevante de publicação e compartilhamento de textos e de opiniões e resenhas sobre livros e autores. Mais do que isso: escritores até mais renomados das novas gerações têm se esforçado e conseguido tirar proveito da plataforma virtual, para divulgar seu trabalho e interagir com os admiradores.

Em uma das comunidades de que participo no Facebook, a Leitores Anônimos, vejo muita gente jovem (menos de 20 anos) comentando sobre seus personagens, livros e autores favoritos, indicando obras, discutindo literatura. Os mais críticos ou tradicionalistas colocariam em dúvida a qualidade de algumas obras debatidas, mas, sinceramente, não vejo muito problema nisso. O amadurecimento, como pessoa, profissional, companheiro, pai/mãe, leva tempo e requer passos pouco elogiáveis. Como leitor, não seria diferente. O mais importante, no final das contas, é o contato e o gosto desses adolescentes pela leitura (e a ambição de muitos deles pela escrita). Em alguns anos, esse círculo de estímulo (e, por vezes, competição) renderá bons resultados.

O segundo ponto, que também tem bastante a ver com o público jovem, é a nova onda de filmagens de histórias originalmente publicadas em livros. Percebo que, em muitos casos, há um ciclo vicioso: uma obra bem vendida dá origem a um filme de sucesso e um filme de sucesso impulsiona as vendas daquela obra – que, muitas vezes, é reeditada, para destacar a produção cinematográfica. Essa integração entre as duas artes ou campos culturais tem se mostrado benéfica para ambas, com a construção de um público animado e fiel. Arrisco-me até a dizer que esse público adotou uma postura diferenciada, antimaniqueísta, rejeitando aquela ideia excludente de “ou se vê o filme ou se lê o livro”. Nota-se até mesmo um interesse vivo em comentar as semelhanças e divergências do produto nas duas plataformas.

lado bom da vidaCapa do livro “O lado bom da Vida”, reeditada com atores do filme homônimo

O terceiro e último ponto, que também tem ligação com os dois anteriores, é a popularização ou celebrização de alguns escritores. Esse fenômeno pode ter efeitos negativos, como restringir a gama de autores e estilos procurados ou escancarar a vida pessoal de alguns deles, mas certamente traz vantagens para a literatura. Depois de alguns anos à sombra dos astros de outras artes (atores, modelos fotográficos, etc), esse campo voltou a ter seus grandes representantes, que atiçam a curiosidade do grande público e atraem novos leitores continuamente. Por enquanto, a febre está mais concentrada em romancistas estrangeiros, como J.K. Rowling, J. R. R. Tolkien, C.S. Lewis e Nicholas Sparks, mas nada impede que os nacionais ganhem seu espaço. A internet, aliás, pode dar uma ajuda e tanto nesse sentido.

É… Pelo jeito, o texto não ficou tão curto. Minhas desculpas pela dificuldade de adaptação à plataforma e meus agradecimentos por quem acompanhou a reflexão até aqui. O que vocês pensam sobre o assunto? Comentem!

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