A vergonha de não ter lido


Desde que criei o Livro Leve Solto, passei a procurar comunidades em redes sociais ligadas a leitura, literatura e afins, inclusive interagindo em algumas delas. Na última madrugada, decidi fazer uma “brincadeira” na Leitores Anônimos, grupo que reúne mais de 22 mil usuários no Facebook. Coloquei a seguinte imagem lá:

vergonha de não ler

Surpresa! Apesar do horário avançado (por volta de 1h, em Brasília, ou 0h, aqui no Recife), muita gente respondeu ao post, mostrando-me que a vergonha por não ter lido um ou mais livros específicos é bem mais comum do que eu imaginava. Foram 83 comentários, alguns deles já na tarde de hoje.

Eu mesmo fui o primeiro a responder à enquete, revelando a minha não-leitura de O pequeno príncipe, de Saint-Exupéry. Inclusive já falei sobre isso no Livro Leve Solto, na sua versão antiga (no Tumblr). Para quem não acompanhou, resolvi repostar a publicação aqui.

Felizmente, não fui o único a ter problemas com o clássico infantil. Outros usuários revelaram que também não conseguem terminar o livro. Outras obras bastante citadas foram A menina que roubava livros, a série Harry Potter, a trilogia Senhor dos Anéis, a saga Jogos Vorazes e Dom Casmurro.

O livro de Machado de Assis, aliás, foi apenas o mais citado, para exemplificar uma tendência forte entre os membros do grupo (e, pelo que percebo, entre boa parte da população). Muita gente disse que se envergonha de não ter lido os clássicos brasileiros, mencionando também Memórias póstumas de Brás Cubas, O tempo e o vento, entre outros. Obras que, geralmente, têm a leitura recomendada (ou exigida?) na fase escolar – o que, para mim, é um erro (opinei sobre isso aqui, no 11º parágrafo).

No final das contas, tirei três conclusões. A primeira, que me inclui em relação a O pequeno príncipe, é o fato de que, quando um livro é muito lido e comentado por quem está no seu entorno, as pessoas se sentem na obrigação de conhecê-lo também. Tem a ver com a sensação de pertencimento, de acompanhamento do círculo social.

A segunda, na verdade, é apenas um reforço da minha opinião de que os clássicos brasileiros, tão valiosos e reveladores da nossa história e da nossa sociedade, são apresentados aos jovens de maneira equivocada e no momento errado. A maioria deles não é de fácil compreensão, o que afasta (muitas vezes, permanentemente) os leitores menos experientes.

A terceira é que muita gente já passou de ano ou no vestibular graças a resumos disponíveis na internet. Eu, inclusive.

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