As biografias dos craques


cristiano ronaldo livro

Nesta semana, a Fifa anunciou que o português Cristiano Ronaldo venceu, pela segunda vez (a primeira foi em 2008), a disputa pelo título de melhor jogador de futebol do mundo. Nos últimos quatro anos, a Bola de Ouro havia ficado com o argentino Lionel Messi, que atua pelo Barcelona, maior rival do Real Madri, clube do atleta lusitano. Na literatura, assim como no futebol, a concorrência entre os dois é pesada.

Em uma busca rápida na internet, encontrei três biografias de Lionel Messi e quatro de Cristiano Ronaldo. Resultados bastante expressivos para jogadores que, em 2014, chegarão, respectivamente, aos 27 e 29 anos, concorda? Nos próximos meses, aliás, o argentino aumentará seu portfólio, com a primeira biografia oficial.

Numa pesquisa equivalente à dos astros atuais, também só achei quatro livros sobre a vida de Pelé – que também foi homenageado pela Fifa, nesta semana, com a Bola de Ouro de honra (na sua época, o prêmio era exclusivo para atletas do futebol europeu). E olhe que o brasileiro já pendurou as chuteiras há tempos, em 1977, e, agora, tem 73 anos. Do polêmico Maradona, a busca apontou apenas uma biografia.

Aparentemente, o jogador nacional que mais deve ser contemplado pela onda das biografias é Neymar. Os 21 anos do ex-santista (e, agora, companheiro de Messi no Barcelona) já estão esmiuçados em dois livros: Neymar Jr: de A a Z e Neymar: conversa entre pai e filho. É muita página para pouca idade? Talvez. Mas o dinheiro, o sucesso e a fama, certamente, ajudam a preencher as publicações.

Para mim, no entanto, são três elementos sem grande valor como atrativos para a leitura de uma biografia. Sei pouco ou quase nada das vidas de Neymar, Cristiano Ronaldo e Messi, e não tenho a menor intenção de criticar a publicação de livros sobre elas. Pensando pelo lado mercadológico, entendo plenamente. Apenas, a princípio, não me interesso. Penso que, talvez, fosse melhor conhecer o passado e as ideias de um dos milhares de atletas que sonham (ou de ex-atletas que sonharam) – e, na maioria das vezes, sem conseguir – em ter sucesso no esporte, em estampar capas de revistas, em ganhar prêmios da Fifa. Em ser Neymar, Cristiano Ronaldo ou Messi.

Atletas que, vindos de interiores desconhecidos ou de áreas pobres e violentas das grandes cidades do Brasil e do mundo, têm muito para contar e pouca gente para ouvir (ou ler). Entre eles, o atacante Flávio Caça-Rato, do Santa Cruz, que – conforme assisti em uma reportagem de televisão, há poucos dias – quase foi enforcado pelo pai. São dramas, e também alegrias, capazes de curar a cegueira do torcedor e fazê-lo se aproximar do jogador, reconhecer-se nele ou compreendê-lo para além dos gramados e entrevistas. Como gente “normal”, sem carrões, capas de revistas, prêmios e fama.

Mas, isso, provavelmente, não faria um livro vender, certo?

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