A escrita liberta: relatos de vida e morte nos campos de concentração


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Guerra Mundial tem tudo a ver com o dia 27 de janeiro. Para começar, foi nessa data, em 1915, que se registrou o primeiro bombardeio aéreo massivo, de aviões franceses contra as fábricas alemãs de explosivos. Em 1923, aconteceu o primeiro congresso do Partido Nacional-Socialista da Alemanha, do qual Hitler fazia parte. Em 1945, as tropas soviéticas liberaram dois dos campos de concentração nazistas mais famosas da história. Em Auschwitz e Birkenau, mais de 1,5 milhão de pessoas foram exterminadas. É daí que vem o último post de hoje.

Há poucos anos, passei a me interessar bastante por livros que tratavam da Segunda Guerra, especialmente no tocante à vida das vítimas do conflito. Aqui, vou indicar três boas obras, para quem também aprecia o tema – ou para quem quer conhecer mais sobre ele.

O pianista: esta é a mais famosa das três obras, inclusive por conta de sua adaptação ao cinema, em filme homônimo dirigido por Roman Polanski. É o relato do pianista polonês Wladyslam Szpilman sobre a deportação e a morte de toda a sua família. O livro foi lançado após a guerra, com o título de Morte de uma cidade, mas censurado pelos comunistas. Depois, só voltou a ser publicado em 1998, fazendo sucesso internacional.

O homem que venceu Auschwitz: é o relato do ex-soldado britânico Denis Avey, que, para conhecer a realidade de Auschitwz (ou constatar a veracidade das informações tenebrosas que recebia sobre o campo), trocou de lugar com um prisioneiro judeu. O livro foi escrito quando Avey completou 91 anos, com o auxílio do jornalista Rob Broomby.

A noite: é a primeira e mais conhecida obra de Elie Wiesel, vencedor do Nobel da Paz de 1986. Traz o relato do escritor judeu, que, quando jovem, foi recolhido aos campos de concentração e perdeu a família (pais e irmã mais nova) no Holocausto. O livro traz histórias da infância do autor, antes da guerra, a época em que foi expulso de sua terra (Transilvânia) pelos nazistas e os dias em Auschwitz e Buchenwald.

Obviamente, os três livros são carregados de detalhes fortes e emocionantes, inevitáveis diante da sua natureza de relatos de sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Portanto, podem não ser muito recomendáveis para quem se fragiliza demais com uma leitura mais dramática.

De toda forma, acredito que contribuem bastante para o entendimento do que aconteceu ao longo daquele conflito. Há pouca informação no âmbito dos movimentos de tropas ou da política e da economia internacionais, até por conta da dificuldade de acesso dos prisioneiros sobre o que se passava fora dos muros e cercas dos campos de concentração. Por outro lado, essas obras constituem uma inestimável – e única – fonte para a análise e a compreensão das relações humanas, das mentes e dos espíritos das principais vítimas da guerra.

trabalho liberta

Esses autores, ao colocarem suas memórias no papel, contrariam mais uma vez a inscrição nos portões de ferro dos campos de concentração. Não foi o trabalho que os libertou, mas a escrita. E, talvez, a esperança de inspirar o futuro a não repetir o passado.

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