Capote e o jornalismo literário


capote

Ontem, 02 de fevereiro, foi um dia ruim para o cinema. Além das acusações de abuso sexual contra o diretor Woody Allen por sua filha adotiva e do assassinato do documentarista Eduardo Coutinho, morreu o ator Phillip Seymour Hoffman, provavelmente vítima de overdose. Ele ganhou notoriedade na sétima arte ao interpretar Truman Capote, no filme Capote, de 2005. Pela atuação, chegou a conquistar, entre outros prêmios, o Oscar de Melhor Ator.

Mas… quem foi Truman Capote?

Para quem não viu o filme, ou não conhece bem a história, Capote é reconhecido como um dos primeiros nomes do jornalismo literário, um gênero que combina os ideais da reportagem com uma narrativa de cunho mais artístico. Nascido em Nova Orleans, na Louisiana, em 1924, ele começou a escrever quando tinha cerca de 5 anos, participando do primeiro concurso literário aos 10.

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O sobrenome Capote só veio em 1933, quando o garoto se mudou com a mãe para Nova Iorque e foi adotado pelo padrasto cubano Joe Capote. No final daquela década, ele começou a colaborar para dois jornais da Greenwich High School e, em 1941, passou a trabalhar na revista The New Yorker.

Na década de 1940, dedicou-se aos contos e às novelas, que lhe renderam prêmios e contratos. Mais tarde, em 1958, fez sucesso com o romance Breakfast at Tiffany’s, publicado no Brasil com o título Bonequinha de Luxo e adaptado para o cinema tendo Audrey Hepburn no papel principal. No ano seguinte, ao tomar conhecimento da chacina de uma família no interior do Kansas, Capote vai atrás da história e, em 1966, publica A Sangue Frio, obra que inaugura o chamado jornalismo literário e que foi, originalmente, publicada em quatro partes, pela The New Yorker.

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Como já dito no início do post, o jornalismo literário, posteriormente batizado por Tom Wofe de “Novo Jornalismo”, é uma mistura de reportagem e narrativa ficcional, artística. Há muitas definições e explicações sobre o gênero, como a do cientista da comunicação Felipe Pena, que identifica sete características que o compõe: “Potencializar os recursos do jornalismo, ultrapassar os limites dos acontecimentos cotidianos, proporcionar visões amplas da realidade, exercer plenamente a cidadania, romper as correntes burocráticas do lead, evitar os definidores primários e, principalmente, garantir perenidade e profundidade aos relatos”. Para o autor, a existência de uma delas já bastaria para atribuir à reportagem aquele status.

Além de Capote, o gênero teve representantes importantes, como os norte-americanos Gay Talese (autor do célebre perfil Frank Sinatra está resfriado) e Norman Mailer e o brasileiro José Hamilton Ribeiro. Historicamente, esteve restrito a espaços esporádicos nos grandes veículos de imprensa ou a alguns jornais e revistas de linha editorial diferenciada, devido à preponderância do jornalismo hard news, factual. O estilo literário, no entanto, costuma ter espaço na publicação de livros e, definitivamente, ainda inspira muitos repórteres a capricharem um pouco mais na construção dos seus textos no dia a dia.

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Um comentário sobre “Capote e o jornalismo literário

  1. Eu nunca segui muito o trabalho do autor, nem sabia do nome dele até ontem… Então não posso dizer que senti muito fortemente a perda dele – mas certamente uma pena, aparentemente ele era muito bom =)

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