O Dom da escrita


Helder Camara

Dom Helder Câmara, ex-arcebispo de Olinda e Recife, estaria completando 105 anos nesta sexta-feira, 7 de fevereiro. Nascido em Fortaleza e falecido em 1999, o religioso ficou famoso por pregar a paz, interceder pelos mais pobres e combater a repressão durante a ditadura militar. Chegou, inclusive, a ser indicado quatro vezes ao Nobel da Paz, uma marca jamais alcançada por outro brasileiro. Uma história que, como não poderia deixar de ser, serviu e serve de base para muitos estudos, análises e publicações.

O que nem tanta gente sabe é que o próprio Dom Helder teve uma trajetória literária significativa, com mais de dez livros publicados, em português, italiano e francês. Entre os mais conhecidos, está Um olhar sobre a cidade, uma coletânea de 63 crônicas sobre situações vividas pelo religioso e reflexões sobre fé, amor, fraternidade e outros valores. Os textos que compõem a obra já haviam sido lidos por Dom Helder no programa homônimo da Rádio Olinda.

Outra obra que merece destaque é Mil razões para viver, que traz poemas escritos pelo ex-arcebispo, também sobre assuntos como religião, fé, amor, esperança e perdão. Um deles, a seguir:

Não grites incoerência

hipocrisia,

falsidade,

sem a coragem cristã

de olhar primeiro,

mas a fundo

bem a fundo,

teu próprio rosto.

Indagações sobre uma vida melhor tem uma origem curiosa. O livro é uma seleção de perguntas feitas por franceses, em encontros promovidos por um seminário católico naquele país, e das respostas oferecidas por Dom Helder. Entre os temas mais frequentes, estão o sentido da oração, a esperança, o capitalismo e o comunismo, a violência e a paz, Deus e a Igreja Católica.

Há quem acredite que Dom Helder continuou presenteando seus leitores e seguidores mesmo após a morte. Em 2007, foi lançado Novas Utopias, que reúne 52 textos supostamente ditados pelo ex-arcebispo e psicografados pelo médium Carlos Pereira. A obra, como era de se esperar, causou polêmica, tanto por estar diretamente ligada ao espiritismo, quanto por ter sido prefaciada por Marcelo Barros, autor de 30 livros e secretário de Dom Helder entre 1966 e 1975.

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