O surrealismo e a escrita automática


Um post bonito com muita cadência aliviadamente feio escrito com vozes perfeitas azuis rosas e amarelas perdidas no escuro da mão e da noite amada rosa maria escretínio escrutínio renascido da luz.

Não entendeu? Tudo bem. Eu também não – e olhe que fui eu que escrevi. Essa estranha sequência de palavras foi só uma tentativa de exemplificar a “escrita automática”, pilar da literatura surrealista. A ideia é escrever, ininterruptamente, tudo o que vier à cabeça, sob o “comando” do inconsciente (ou do subconsciente), indo de encontro à lógica e à razão e ignorando até mesmo as regras gramaticais.

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André Breton

E por que o Livro Leve Solto está falando sobre isso? É que hoje, 19 de fevereiro de 2014, seria o 118º aniversário de André Breton, o autor do Primeiro Manifesto Surrealista, publicado em 1924. O escritor, teórico e psiquiatra francês, que faleceu em 1966, e seus companheiros rejeitavam a ditadura da razão e os valores burgueses, enquanto valorizavam o sonho, a contra-lógica e o humor como vias de libertação. Curiosamente, o Surrealismo – fortemente ligado às ideias do criador da psicanálise, Sigmund Freud – surgiu de uma ruptura com o Dadaísmo, outro movimento que defendia a irracionalidade.

Embora a palavra “surrealismo” tenha sido mencionada, pela primeira vez, pelo poeta cubista Guillaume Apolinaire, em 1917, considera-se que o movimento só nasceu com a publicação do manifesto de Breton, em 1924. Cinco anos mais tarde, foi lançado o Segundo Manifesto Surrealista e o periódico O Surrealismo a serviço da revolução. Ao longo das décadas seguintes, seus ideais influenciaram outros movimentos e acabaram sendo abraçados por eles. No Brasil, por exemplo, ganhou espaço dentro do Modernismo.

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“A persistência da memória”, de Dalí, e “O impossível”, de Maria Martins

Entre os grandes nomes do Surrealismo, estão a escultora brasileira Maria Martins, os pintores René Magritte (belga) e Salvador Dalí e o cineasta Luís Buñuel (esses dois, espanhóis). Em Pernambuco, um dos artistas que mais receberam a influência do movimento foi o pintor Cícero Dias, nascido em 1907 e falecido em 2003.

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