10, 9, 8… Ferreira Gullar!


ferreira

Aos 84 anos, Ferreira Gullar deixou de ser “antiacadêmico”, candidatou-se a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e tornou-se imortal

É verdade que a quinta-feira (09) ficou marcada por um anúncio importante na literatura mundial: a escolha do escritor francês Patrick Mondiano como novo vencedor do prêmio Nobel. Mas, aqui no Brasil, também teve notícia de destaque. Aos 84 anos, o maranhense Ferreira Gullar foi eleito o novo imortal da Academia Brasileira de Letras, por 36 votos a favor e nenhum contra, além de um em branco. Ele irá ocupar a cadeira de número 37, deixada pelo poeta e tradutor Ivan Junqueira, morto em junho de 2014. O mesmo assento já foi ocupado, entre outros, por João Cabral de Melo Neto, Getúlio Vargas e Assis Chateaubriand.

Quer saber mais sobre o novo membro da ABL? Leia dez fatos e curiosidades sobre a vida e a obra de Ferreira Gullar.

10. Ferreira Gullar é apenas o nome artístico do poeta nascido em São Luís, em 10 de setembro de 1930. Oficialmente, ele se chama José Ribamar Ferreira. O Gullar veio…

9.  Sua carreira de escritor começou aos 19 anos, com a publicação do livro Um pouco acima do chão. A obra de estreia acabou sendo premiada, sinalizando o futuro promissor do jovem maranhense.

8. Dentre as outras obras mais conhecidas de Ferreira Gullar, estão A luta corporal (1954), Dentro da noite veloz (1975) e Poema sujo (1976). Este último é um poema de quase 100 páginas, escrito durante o exílio do poeta em Buenos Aires e determinante para seu retorno ao Brasil. No ano seguinte, já por aqui, o autor foi preso e torturado, até ser libertado graças à pressão internacional.

7. Além da poesia, Ferreira Gullar fez nome na dramaturgia. Ele é um dos fundadores do Teatro Opinião, grupo reconhecido pela resistência ao regime ditatorial brasileiro. Entre as suas peças, escritas com parceiros, estão Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come e A saída? Onde fica a saída?

6. A poesia de Ferreira Gullar também ganhou espaço na música. Foi ele, por exemplo, que criou a versão brasileira da letra de Borbulhas de amor, imortalizada na voz de Raimundo Fagner. O cearense também ficou responsável por interpretar o poema Traduzir-se, de 1981. Já um trecho de Poema sujo serviu à canção Bachiana no. 2 (ou O Trenzinho Caipira), de Heitor Villa-Lôbos.

5. A relação de Ferreira Gullar com a música passa, também, por uma polêmica com Oswaldo Montenegro. O escritor teria acusado o cantor e compositor de plágio, devido às semelhanças entre a canção Metade e o poema Traduzir-se.

4. Como poeta, Ferreira Gullar teve participações significativas nos movimentos concretista e neoconcretistas (este último, ele ajudou a fundar, como uma alternativa ao primeiro, o qual criticou pelo excesso de racionalidade. A partir da década de 1960, o conteúdo político ganhou mais força nos seus versos.

3. Como tradutor, Gullar foi o responsável por “aportuguesar” peças de teatro e histórias infanto-juvenis, como As mil e uma noites, Dom Quixote de la Mancha e Fábulas de La Fontaine.

2. Antes de chegar à ABL, Ferreira Gullar já tinha motivos de sobra para se orgulhar da sua carreira. Em 1999, por exemplo, ele venceu o Jabuti, na categoria poesia, e o Alphonsus de Guimarães, oferecido pela Biblioteca Nacional, com o livro Muitas vozes. Em 2002, foi indicado para o Nobel de Literatura. Em 2010, recebeu o Prêmio Camões, o mais importante para os autores de língua portuguesa. No ano seguinte,  conquistou o Jabuti de livro do ano, com Em alguma parte alguma, e, em 2013, o Prêmio Governo Minas Gerais de Literatura.

1. Apesar de todo o reconhecimento a sua arte, a eleição de Ferreira Gullar para a ABL não deixa de ser uma surpresa. Aliás, mais do que a escolha do autor, chama a atenção o fato de ele ter se candidato à cadeira de número 37. Afinal, o maranhense sempre manifestou aversão à ideia de se tornar um “imortal”. Em entrevista, ele explicou que foi convencido por amigos e que pesou o fato de poder substituir Ivan Junqueira, a quem chamou de “um grande amigo”.

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