10, 9, 8… Carlos Drummond de Andrade!


Aniversariante do dia, Drummond jamais ocupou uma cadeira da Academia Brasileira de Letras

Aniversariante do dia, Drummond jamais ocupou uma cadeira da Academia Brasileira de Letras

Neste 31 de outubro, o mineiro Carlos Drummond de Andrade (provavelmente, o meu poeta favorito) estaria completando 112 anos de vida. Por isso, o autor de clássicos da literatura brasileira, como No meio do caminho, Quadrilha e José, é o homenageado do dia na seção 10, 9, 8… Confira a seguir dez curiosidades sobre a vida e a obra do filho mais ilustre de Itabira.

10. Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro, no interior de Minas Gerais, mas cresceu em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. A passagem por terras fluminenses teve fim quando o jovem foi expulso do Colégio Anchieta de Nova Friburgo, por “insurbordinação mental”.

9. Ao retornar para Belo Horizonte, Drummond iniciou sua carreira literária, engajando-se no Diário de Minas, veículo que propagava o modernismo no estado. Em meados da década de 1920, ele deu sequência à ligação com o movimento artístico-cultural, tornando-se um dos fundadores de A Revista.

8. Embora tenha feito carreira como escritor e funcionário público (chegou a ser chefe de gabinete do Ministro da Educação Gustavo Capanema), Drummond era formado em farmácia. A graduação foi realizada por insistência da família, em Ouro Preto.

7. Em sua obra literária, Drummond chama a atenção pela abordagem das experiências humanas (sobretudo, coletivas). Em muitos textos, há uma nota acentuada de sarcasmo e ironia sobre fatos e situações cotidianas. O erotismo também tem seu peso, notadamente na década de 1980.

6. Entre os livros de poemas publicados pelo escritor, alguns tiveram (e têm) grande relevância: Alguma poesia, Sentimento do mundo, José, A Rosa do PovoCorpo (leia nossa resenha clicando aqui) e Boitempo, por exemplo.

5. Apesar de ser conhecido pela poesia, Drummond também publicou livros de contos, crônicas e infantis, como O elefante, Contos plausíveis, Tempo vida poesia e O avesso das coisas. Ele também traduziu obras de Balzac, Marcel Proust, García Lorca, Molière, entre outros.

4. Por pouco, o poeta não entrou para a política. Ele chegou a ter o nome divulgado na imprensa, como candidato a deputado, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1945. Na lista definitiva para as eleições, no entanto, Drummond não apareceu. Veja mais sobre esta história clicando aqui.

3. Famoso pela estátua localizada na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e alvo de frequentes vandalismos, o escritor mineiro também teve bastante representatividade pública no final da década de 1980. É que, entre 1988 e 1890, o seu rosto estampou as notas de 50 cruzados novos.

2. Em 1987, meses antes de morrer, Drummond foi homenageado com um desfile da Mangueira, no carnaval do Rio de Janeiro. Com um samba intitulado “O Reino das Palavras”, a escola verde e rosa sagrou-se bicampeã naquele ano.

1. Carlos Drummond de Andrade faleceu no Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1987, doze dias após a morte da sua filha, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade. O poeta e a esposa, Dolores Dutra de Morais, chegaram a ter outro filho. No entanto, Carlos Flávio, como seria chamado, sobreviveu apenas por 30 minutos. Ele foi homenageado pelo pai no poema O que viveu meia hora, reproduzido a seguir:

Nascer para não viver
só para ocupar
estrito espaço numerado
ao sol-e-chuva
que meticulosamente vai delindo
o número
enquanto o nome vai-se autocorroendo
na terra, nos arquivos
na mente volúvel ou cansada
até que um dia
trilhões de milênios antes do Juízo Final
não reste em qualquer átomo
nada de um hipótese de existência.

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