Autoral: Vício


É como se a porta estivesse aberta

Mas faltasse chão para chegar lá.

Dizem que dá, que eu posso, que eu consigo

Mas ninguém dá

Ninguém pode

Vir comigo.

É como se a passagem fosse de graça

Mas faltasse o avião

E o combustível de que os outros falam

É água parada para mim.

É como se a saída fosse evidente

Mas faltassem os olhos para perceber,

Porque os gastei para ver a entrada

Esta, sim, evidente para mim.

É como se o futuro fosse agora

Quando ignoram todo o passado

Que me carrega para o meu fim.

É como se lutar não fosse preciso

Quando, na terra em que piso,

Tudo tende a ruir.

É como se nada fosse difícil

E eu fizesse por puro deleite

Quando o difícil é alguém que aceite

Que não é simples sair.

É como se a rua fosse liberdade

É assim que dizem lá do edifício

Aqueles que enxergam vontade

Onde, de fato, se alastra o vício.

 .

É como se a porta estivesse aberta

Mas faltasse eu para chegar lá.

Tiago Cisneiros, novembro de 2014

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