Luiz Henrique Ramos faz sua estreia literária oficial nesta quarta, com “tenho uma página em branco”


Aos 21 anos, Luiz Henrique Ramos quer se emocionar e emocionar com "Tenho uma página uma branca"

Aos 21 anos, Luiz Henrique Ramos quer se emocionar e emocionar com “tenho uma página em branco”. Foto: André Arribas/Divulgação

O Livro Leve Solto apresenta mais um jovem autor pernambucano de futuro. Luiz Henrique Ramos, estudante de direito de 21 anos, está prestes a fazer sua estreia literária oficial. Nesta quarta-feira (26), às 20h, ele lançará tenho uma página em branco (editora Pé de Letra, R$ 20), livro em que reúne 30 poemas escritos entre 2010 e 2014. A comemoração e as primeiras vendas da obra (com direito a autógrafo e dedicatória) acontecerão no Vaporetto Bar, localizado em Santana, Zona Norte do Recife.

Sonho antigo de Luiz Henrique, o primeiro livro recebeu o título do blog em que ele costuma publicar alguns textos (em ambos, apenas com letras minúsculas). Segundo ele, a frase “tenho uma página em branco” representa o preenchimento da própria vida, o uso das oportunidades. “Brinco fazendo a analogia de que uma página corresponde a um dia, precisamente. E tudo o que fazemos durante o dia termina preenchendo essa página, como se escrevêssemos. O melhor é que não só eu tenho uma página em branco. Todo mundo a tem, todos os dias”, explica o autor, ressaltando que o último poema da obra também foi batizado com aquele nome.

Parente para lá de distante do alagoano Graciliano Ramos, autor do clássico Vidas Secas, Luiz Henrique evita falas pretensiosas sobre a própria arte. No entanto, conta que, com o tempo, afeiçoou-se ao gosto de criar para si, mas, também, para os outros, de atingir leitores e, por meio da literatura, ligar-se a eles. “Descobri que emocionar é tão bom quanto se emocionar. Então, percebi que o que eu escrevo pode até ter sido escrito por mim, mas não é meu. É de quem quiser.”

Já que é assim, que tal conhecer um pouco mais da ideia e da história do poeta? Confira a seguir, na entrevista exclusiva que ele concedeu ao blog.

Quando e por que começou a escrever? O envolvimento com a literatura foi através da poesia?

Não sei precisar exatamente quando, mas lembro que comecei a escrever por necessidade. Tudo o que transbordava de mim, caía no papel em forma de palavras. Prosa e, sobretudo, poesia. Aliás, foi, sim, através da poesia que me interessei pela escrita. Lembro que minha avó materna lia poemas para mim, quando ia dormir em sua casa. E quando eu gostava muito de algum, rezava para, um dia, escrever algo tão bom quanto. Não que eu tenha conseguido, até porque continuo rezando por isso (risos). Lembro, também, de minha avó lendo, com muito orgulho, poesias do seu pai, meu bisavô… Isso me encorajou bastante a escrever. Como também o meu parentesco distante (mesmo!), por parte do avô paterno, com Graciliano Ramos.

Quais são suas principais referências na literatura?

Posso dizer que Paulo Leminski é o meu preferido. A brincadeira que ele faz com as palavras, a forma livre, leve e solta (risos) com que escreve é, sem a menor sombra de dúvida, minha maior inspiração. Clarice Lispector também é outra forte influência. Acho que, com ela, aprendi um pouco como explicar o que não se explica. Augusto dos Anjos, que minha avó muito lia para mim, e Vinícius de Moraes também têm seu percentual na minha formação. É engraçado porque, na verdade, puxo um pouco alguma característica de vários autores, mas criando a minha própria forma.

A ideia de lançar um livro é antiga ou surgiu recentemente, já depois de muitos poemas produzidos?

É um sonho antigo, desde que vi alguns colegas lançando também. Na verdade, eu tinha o projeto pronto, no meu computador, mas não encontrei tanto espaço com as editoras que tentei contato. Quando li aqui no blog sobre o projeto do Pé de Letra, não tive dúvidas de que o sonho seria realidade em questão de tempo.

Você decidiu batizar o seu primeiro livro com o nome do seu blog, onde costuma postar poemas e outros textos. É um título que significa algo especial para você?

“Tenho uma página em branco” é uma forma de dizer que tenho uma oportunidade. Dá nome não só ao blog, mas ao último poema do livro, o que, aliás, termina dando uma clareza ao leitor do porquê desse nome. Brinco fazendo a analogia de que uma página corresponde a um dia, precisamente. E tudo o que fazemos durante o dia termina preenchendo essa página, como se escrevêssemos. O melhor é que não só eu tenho uma página em branco. Todo mundo a tem, todos os dias.

Todos os poemas que fazem parte do livro estão, também, no blog? Ou há textos inéditos?

Os poemas que estão no blog são oito e estão todos no livro, que conta, ao todo, com 30 poesias.

Como você fez a seleção dos poemas? Houve algum critério ou apenas a preferência pessoal?

Na verdade, utilizei todos os poemas que tinha até então. Costumo dizer que nunca terminei um poema. Vivo mexendo, editando os poemas que escrevo, mesmo os mais antigos. “Torço, aprimoro, alteio, limo” que nem Olavo Bilac (risos). Depois de uma conversa com o meu parceiro André Arribas, do Pé de Letra, inclusive perdi o “abuso” que tinha de certos poemas que escrevi. São, de certa forma, uma fase de mim. Se o livro é sobre mim e as minhas páginas em branco, nada mais justo do que escancará-las todas. Sem tirar, só pôr.

Por que o interesse em publicar o livro com uma editora cartonera, a Pé de Letra? O que muda na confecção?

Tudo. Absolutamente tudo. Com o Pé de Letra, posso dizer que participei ativamente de todo o processo de confecção do livro. Desde a escrita dos poemas, propriamente, até o acabamento dos exemplares, passando pela pintura das capas, costura e tantas outras etapas (15 no total!). A ideia de produzir poesia com sustentabilidade e esse contato direto, olho no olho, com André, que toca o Pé de Letra, foi o que me levou a tão acertadamente o escolher como parceiro. É tudo o que eu queria e esperava. Aliás, fui ao lançamento do livro Confissões, de Eduardo Vieira (projeto arretado, também em parceria com o Pé de Letra), e soube que era exatamente o que eu queria para mim também. Não poderia estar mais satisfeito.

O que a poesia e/ou a literatura representa para você, enquanto autor? Em outras palavras: por que (e para quem) você escreve?

Já pensei que escrevia por querer ordenar no papel o que andava tão bagunçado na minha cabeça. E estava, em parte, certo. No começo, escrevia pra mim, apenas. Numa tentativa de extravasar. Aos poucos, fui compartilhando com pessoas mais próximas, que, para minha surpresa, consideravam grandes coisas o que eu escrevia. E se emocionavam até. Foi aí que descobri que emocionar é tão bom quanto se emocionar. Então, percebi que o que eu escrevo pode até ter sido escrito por mim, mas não é mais meu. É de quem quiser. Mesmo que eu ache que ali, no que escrevo, seja só eu, na verdade, somos todos nós que lemos e que nos emocionamos. Sou apenas um instrumento que tenta escolher as palavras certas pra passar o mais fielmente possível um sentimento que, tenho certeza, muitos sentem.

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Serviço

Lançamento do livro tenho uma página em branco, de Luiz Henrique Ramos (R$ 20)

Local: Vaporetto Container Bar – Rua Leopoldino Silva, 100, Parque Santana, Casa Forte, Recife

Data: 26/11/2014 (quarta-feira)

Horário: 20h

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