10, 9, 8… Marquês de Sade!


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Nascido em um castelo e morto em um manicômio, o Marquês de Sade colecionou escândalos na vida pessoal e na literatura

Na seção 10, 9, 8…, costumo dar preferência aos grandes expoentes da literatura nacional e/ou da língua portuguesa. Nesta semana, no entanto, o quadro vai ficar com um francês. É que, neste dia 02 de dezembro, completa-se o bicentenário de morte do polêmico Marquês de Sade. Saiba dez fatos e curiosidades sobre a vida e a obra do autor:

10. Com o nome de Donatien Alphonse François, o Marquês de Sade nasceu em um castelo próximo a Paris, no dia 02 de junho de 1740. Filho de um conde diplomata e militar, ele ingressou no exército francês aos 16 anos, tendo lutado na Guerra dos Sete Anos.

9. Na volta da guerra, ele foi obrigado pelo pai a casar-se com Renée-Pélagie de Montreuil. Embora tenha sido traída inúmeras vezes (e soubesse do hábito do marido), ela continuou ao lado do marquês por 27 anos e deu à luz três filhos.

8. A sogra foi uma peça fundamental na vida desregrada do Marquês. Foi ela que o tirou da prisão em menos de um mês, depois de Sade ser acusado por uma prostituta a obrigá-la a renegar Deus e a praticar atos “inapropriados” com imagens cristãs, durante o sexo. Sete anos depois, em 1772, a sogra voltou a agir e impediu que o genro fosse condenado à forca, depois de intoxicar outra meretriz.

7. As ajudinhas da sogra, no entanto, não duraram para sempre. É que ela não gostou nem um pouco quando Sade revelou ter um caso com a irmã de sua esposa, Anne-Prospère. A mãe das duas, então, tornou-se uma espécie de carrasco, inclusive conseguindo que fosse condenado sem acusação por duas vezes – a última delas, por 13 anos.

6. Foi na prisão que Sade escreveu toda a sua obra. Na Bastilha, por exemplo, criou em torno de 50 contos e novelas, além do romance Os 120 Dias de Sodoma ou a Escola da Libertinagem. Por pouco, ele não estava no local durante a tomada que se tornou um marco da Revolução Francesa. Doze dias antes, foi enviado a um sanatório, de onde só saiu em 1790, graças a uma anistia concedida pelo novo governo.

5. A boa relação com os revolucionários durou pouco tempo. Sade chegou a tornar-se comissário para a gestão de hospitais em Paris, mas, em três anos, estava de volta à prisão, por se recusar a punir e condenar os réus, inclusive sendo contra a pena de morte. Em 1794, novamente, conseguiu livrar-se da morte (desta vez, na guilhotina).

4. Em março de 1801, já sob o comando de Napoleão Bonaparte, o Marquês de Sade retornou ao manicômio. Morreu em sua cela, aos 74 anos, e foi enterrado no cemitério de Charenton, em uma cova onde só foi colocada uma cruz.

3. Mesmo que a excentricidade tenha lhe causado sérios problemas durante a vida, o Marquês de Sade não abriu mão de explorá-la na literatura. Apoiando-se nos hábitos e ambientes da alta sociedade, ele escreveu muitas histórias que envolviam orgias, incesto, pedofilia e experiências sexuais bizarras (incluindo fezes humanas, por exemplo). Nessa linha, merecem destaque obras como Contos Libertinos e Justine ou os Infortúnios da Virtude.

2. Tanta “criatividade” fez com que Sade, um autor pouco lido em sua época, se tornasse conhecido, graças ao termo “sadismo”. A palavra foi usada, pela primeira vez, em 1834, em uma edição do Dicionário Universal, correspondendo a “aberração horrível do deboche; sistema monstruoso e antissocial que revolta a natureza”, e difundida após a publicação de catálogo de psicopatias sexuais, em 1886.

1. Embora tenha sido (e seja) alvo frequente de repúdio, a obra de Sade já recebeu considerações bastante elogiosas. A filósofa e escritora Simone de Beauvoir, por exemplo, dizia que o autor precedeu o existencialismo em mais de um século. Além disso, artistas como o pintor espanhol Salvador Dalí buscaram inspiração nos livros do marquês.

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