Autoral: À meia-noite


É sempre assim: durante alguns segundos, tornados infinitos quando mergulhados em mim, transformo o barulho dos gritos e fogos de artifício em silêncio. O meu instante de calmaria, a minha parada obrigatória, o meu pedágio de vida. Estaciono e pago, com a cabeça e o coração, por tudo o que vivi, já investindo alguma coisa no que está por vir. Mesmo sem ter ideia do que será.

No entorno, sempre há taças se tocando, lábios se tocando, corpos se tocando… E é nesse momento em que me toco do que passou. E de que o que passou foi consumido, não voltará. Mas de que, sim, ainda existe algo a mais por aí. Talvez muito, talvez pouco. Nem adianta planejar. O negócio é viver. E a alma do negócio somos eu e os meus.

Na meia-noite que divide dias, meses e anos, faço-me pedaços. Um pouco de choro, um pouco de riso, um pouco de saudade, um pouco de esperança, um pouco de amigos, um pouco de família, um pouco de amor, um pouco de aventura, um pouco de paz. Um pouco de tudo de mim, tão pouco e tão pleno, nessa hora sem fim.

É sempre assim: durante alguns segundos, torno-me infinito, mergulhado em mim. E aquele silêncio que invade, só eu sei, é o que me mostra o caminho que devo seguir e os pedaços que devo juntar. E eu vou, de olhos fechados e peito aberto, rumo ao que vem pela frente. Mesmo sem ter ideia do que será.

Espero que seja bom. Espero que seja vida.

Em todos os sentidos que puder ser.

Tiago Cisneiros

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2 comentários sobre “Autoral: À meia-noite

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