a verdade da mentira, e vice-versa | Por Luiz Henrique Ramos


a verdade é que mentira sempre fora seu forte. e, como mentira que se tornava, tinha as pernas curtas, rápidas o suficiente para se esquivar de verdades que preferia não encarar. aliás, se tem uma verdade que aprendera, foi a de que mentira contada repetidas vezes não deixa de ser mentira. ao contrário, só se torna maior, com as pernas cada vez menores. e, de tão curtas, uma hora se deixa de correr, impossibilitando desviar do inconveniente, restando, somente só, fazê-lo de companhia. assim, lado a lado. e calados, de preferência. silêncio que, a certa altura, começava a calejar. desde os pés, que os sustentam, até a glote, que, apertada, não deixava escapar um mudo “ai”. a verdade, indiscutivelmente, pode doer. e percebera isso da pior forma. da melhor forma, por outro lado, compreendera o que era ser uma mentira. e notara que, para ser o oposto de muitas mentiras, só precisava de uma verdade: a sua. doesse a quem doesse, era o que era. aos poucos de corpo, em tudo de alma e em muito de verdade. porque verdade sem um tanto mentira é bem difícil de acreditar, como o é mentira sem um tanto de verdade.

Luiz Henrique Ramos tem 21 anos, é recifense e assina uma coluna quinzenal no Livro Leve Solto, aos sábados.

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