selfie sob um céu só seu | Por Luiz Henrique Ramos


11178397_831058750298079_524669971_n

e longe de tudo é onde se sentiu mais vivo. longe da gente, das luzes, e dele mesmo. deitado sob o infinito, por sobre um outro mais finito que aquele. a areia era úmida, mas leve o suficiente para ser levada pelos ventos que constantemente sopravam. de pesado, só a insustentável leveza de ser o que era.

era o mesmo céu que o cobrira por 21 anos. mas não era o mesmo, porque ele mesmo não era mais o que era antes. a relatividade o atingira da forma mais pura e, curiosamente, mais banal. as estrelas eram tantas quantas sempre foram. mas só agora as via. e enxergava. algumas riscavam faísca no breu que engolia o ar e a ausência dele. era vácuo. sem som, ouvia o sibilar do nada e tudo o que queria se resumia a respirar.

sequer agarrar o fino da areia, que escapulia-lhe à mão, era capaz. a simplicidade, por vezes, merece ser livre, fora do alcance do esforço de um punho cerrado. entendeu isso da maneira mais bonita. inusitada, talvez. de certo, apenas  os murmúrios de um universo que não só não calava como gritava por atenção.

você, nessa imagem, não vê as estrelas de que falo. mas, acredite, elas estão lá. afaste-se das gentes, das luzes e de você. elas estarão lá, ainda que nunca tenha feito questão de perceber.

Luiz Henrique Ramos tem 21 anos, é recifense e assina uma coluna quinzenal no Livro Leve Solto, aos sábados.

*Excepcionalmente, a coluna foi publicada no domingo (26), e não no sábado (25). Pedimos desculpas aos leitores.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s