sem título, de Rafael Serva | Por Eduardo Vieira


Na última quinta-feira de cada mês, o colunista Eduardo Vieira abre espaço para apresentar a arte de autores pernambucanos pouco conhecidos do grande público. Em maio, o texto escolhido – que não tem título – é assinado pelo advogado Rafael Serva, de 31 anos. Leia abaixo:

– Pelos velhos tempos, por que não uma carona?

– É bem verdade não sei mais quem és, mas teu rosto me é familiar.

– Não, não hei de deixar-te em uma caminhada solitária. Por que não uma carona?

– Mas a nossa conversa será de meros gracejos, cordialidades, algo que relembre um passado não tão bom assim, ou será que foi?

– Mas mesmo assim aceite esta carona, não por você, mas por mim, para que eu lembre que andamos no mesmo asfalto, e olhamos para o mesmo teto, ora ensolarado, ora estrelado, ora chuvoso, ora tempestuoso. Dou-te esta carona, mas dai-me tua companhia, com isto, mudo meu dia de rotina, pois já não percebo o brilho sutil das mudanças, nesse ritmo sem paixão.

– Vem logo, me dá uma carona, na novidade, no sorriso, no meio da conversa batida, dai-me esperança, acorde-me deste sono macambúzio.

– Vamos juntos nesse pedaço de caminho, esquecendo que nascemos e morremos sozinhos, vem ou segue teu caminho, quem sabe necessites caminhar sozinha, para espairecer, ou por qualquer outro motivo. Pois bem, deixe estar, o convite foi apenas por tê-la visto passar, anda, vai-te, deixa pra lá.

Eduardo Vieira tem 25 anos, é recifense e assina uma coluna semanal no Livro Leve Solto, publicando textos às quintas-feiras.

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