Menin@ de Rua e Rua d@ Menin@ | Por Eduardo Vieira e Tiago Cisneiros


Novidade no Livro Leve Solto. Nesta quinta-feira, o colunista Eduardo Vieira convidou o autor do blog, Tiago Cisneiros, para uma escrita em parceria. Da ideia, surgiram os poemas Menin@ de RuaRua da Menina. Confira a seguir.

Em cada esquina

Uma infância perdida

Menino ou menina

A vida já foi vendida

Consequência natural

Desigualdade social

.

Vazio do estômago

Âmago do sofrimento

Pensamento na brisa

Frisa a garrafa de cola

Escola é a rua

Tua vida por dinheiro

Isqueiro para o pavio

.

O fim?

Já está escrito

Não há destino.

É cadeia ou morte.

Estatística.

Filh@ de ninguém

Nasceu vítima

Para morrer vilão!

Eduardo Vieira tem 25 anos, é recifense e assina uma coluna semanal no Livro Leve Solto, publicando textos às quintas-feiras.

——————————–

Quando te vi morrer vilão,

Lembrei-me do teu nascer coitado, precário, amargo

Um choro mais estridente do que as buzinas

Que foram trilha dos teus dias

Um soluço mais ritmado

Do que os tiros com que aprendeste a conviver.

.

Quando te vi morrer vilão,

Lembrei-me dos teus primeiros passos:

No papelão e no asfalto.

Tuas primeiras brincas, tuas primeiras veras

Tuas juras de amor e sangue,

Em língua errada e palavrões.

.

Quando te vi morrer vilão,

Lembrei-me do primeiro beijo, do primeiro furto, da primeira droga

Da cola que te descolou do caminho que sonhaste um dia.

Da pedra que não soubeste

Que não pudeste

Que não quiseste

Evitar.

.

Quando te vi morrer vilão,

Lembrei-me da faca, do cano, do ferro

E da tua alma que, no após, teimava em se desarmar

Derramando lágrimas que poucos viram

E das quais ninguém quer saber.

Lágrimas como as que fizeste derramar

Quando te vi matar, vilão.

.

Quando te vi morrer vilão,

Lembrei-me de um tempo bom

Quando, em mim, desenhavas

Colorida amarelinha.

Mal sabias que não terias pernas

Nem apoio qualquer

Para chegar ao céu.

Quando te vi morrer vilão,

Depois de ser e fazer inferno,

Percebi que o jogo

É mais curta que minhas calçadas

E mais duro que o meu concreto.

Soube ali que,

Por suas regras,

Ninguém pode vencer.

Tiago Cisneiros

 

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