eu escolhi amar | Por Luiz Henrique Ramos

juro. não é tão difícil quanto parece. você vai percebendo, enquanto cresce, que existem poucas coisas na vida que valem, verdadeiramente, a pena. a duras penas, você vai realizando um pouco de tudo e nota que apenas coisas poucas, das que há um pouco lhe significavam tanto, são, agora, efetivamente importantes. logo você, que se preocupava tanto, que achava que o mundo acabaria, que você não seria mais que “mais um”. e se desesperava, acreditando que não era possível só ser o que era, e que havia mais: um mundo novo, e seu, onde você seria o centro das atenções, o único e enorme baobá fincado no meio de tudo, cujas raízes sustentavam o peso dos céus, como Atlas.

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aí, você mergulha de cabeça nessa ideia e… quebra a cara. de cara quebrada, recolhe os cacos do chão, humildemente. vê que sua derrota não derrubou consigo o resto do muro de berlim. as luzes da eiffel ainda piscavam, enquanto os casais brindavam um vinho do porto à beira do coliseu. o monge continuava quieto e calado, ao passo que as pessoas continuavam abrindo os braços para a fotografia aos pés do Redentor, como se abraçassem o mundo que você ousava pensar que sustentava nas costas.

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e isso tudo amolece o casco que te protegia e te separava do que havia lá fora. você respeita, escuta, valoriza, acredita, e, então escolhe amar mais. reconhece que as diferenças que lhe afastavam, hoje, são ímãs oferecendo acolhida para o que não é igual, mas tampouco excludente; para o que é capaz de reunir o melhor de dois mundos numa única realidade, sequer carente de explicação: a sua.

Luiz Henrique Ramos tem 21 anos, é recifense e assina uma coluna quinzenal no Livro Leve Solto, aos sábados.

* Excepcionalmente, Luiz Henrique Ramos está publicando em dois sábados consecutivos. Foi um pedido do autor do blog, Tiago Cisneiros, para dar mais beleza aos dias de despedida do Livro Leve Solto.  Em breve, um post detalhará os motivos que levam a página a “fechar as portas” no fim de junho, após mais de 2 anos no ar.

Para quem quiser continuar tendo acesso a textos como esse, a dica é visitar o tenho uma página em branco, blog que Luiz Henrique está reativando para continuar publicando versos e prosas.

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poesia | Por Eduardo Vieira

[no começo]

era fuga

desespero

contraponto da mentira

a verdadeira face

do palhaço ensaiado

era a cura

para toda a minha loucura

um resquício de sanidade

alter ego inflado

silêncio no caos

um vômito inesperado

a ressaca desejada

uma busca por dentro

uma autoanálise

esquizofrênica

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[no momento]

é autocrítica

é leitura social

é espelho

coração despido

pensamentos coletivos

desejos escancarados

são cartas de amor

entre sonho e realidade

o limbo

é sábado de Zé Pereira

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[na verdade]

são apenas palavras soltas.

Eduardo Vieira tem 25 anos, é recifense e assina uma coluna semanal no Livro Leve Solto, publicando textos às quintas-feiras.

* Na última quinta-feira de cada mês, Eduardo Vieira vinha apresentando um texto de um autor pernambucano pouco conhecido do grande público. Desta vez, ele recebeu o pedido de mandar um poema seu. É o início da despedida do Livro Leve Solto, após mais de 2 anos no ar. Em breve, um post detalhará os motivos que levam o blog a “fechar as portas” no fim de junho.