poesia | Por Eduardo Vieira

[no começo]

era fuga

desespero

contraponto da mentira

a verdadeira face

do palhaço ensaiado

era a cura

para toda a minha loucura

um resquício de sanidade

alter ego inflado

silêncio no caos

um vômito inesperado

a ressaca desejada

uma busca por dentro

uma autoanálise

esquizofrênica

.

[no momento]

é autocrítica

é leitura social

é espelho

coração despido

pensamentos coletivos

desejos escancarados

são cartas de amor

entre sonho e realidade

o limbo

é sábado de Zé Pereira

.

[na verdade]

são apenas palavras soltas.

Eduardo Vieira tem 25 anos, é recifense e assina uma coluna semanal no Livro Leve Solto, publicando textos às quintas-feiras.

* Na última quinta-feira de cada mês, Eduardo Vieira vinha apresentando um texto de um autor pernambucano pouco conhecido do grande público. Desta vez, ele recebeu o pedido de mandar um poema seu. É o início da despedida do Livro Leve Solto, após mais de 2 anos no ar. Em breve, um post detalhará os motivos que levam o blog a “fechar as portas” no fim de junho.

Em Nome de Cristo Ltda | Por Eduardo Vieira

O que devo fazer?

Compro um lugar no céu

Ou algo para comer?

Aprendi que mentir é pecado.

O pastor me transformou.

Fez da igreja um mercado.

O perdão por dez por cento,

Um milagre por uma doação

E o imposto é isento.

Não adianta apenas rezar.

O paraíso foi loteado.

É preciso pagar!

Anos de trabalho no cartão.

É o contracheque da vida eterna,

Onde Cristo é o patrão.

Eduardo Vieira tem 25 anos, é recifense e assina uma coluna semanal no Livro Leve Solto, publicando textos às quintas-feiras.