Última página: a despedida do Livro Leve Solto

Chegamos à última página do Livro Leve Solto.

Primeiramente, gostaria de agradecer pelos acessos, comentários, compartilhamentos… Pela companhia, enfim, durante os mais de 2 anos e 3 meses em que o blog esteve no ar. Nesse período, houve momentos de intensa atualização e outros de abandono temporário, variando conforme as outras obrigações com que eu precisava lidar a cada tempo.

Nesse período, descobrimos vidas de grandes nomes da literatura, conhecemos curiosidades envolvendo obras e autores, traçamos paralelos entre a escrita, o cinema e a música, ensinamos e aprendemos português, trocamos opiniões, apresentamos (e fomos apresentados a) novos escritores pernambucanos e brasileiros, realizamos campanha de doação de livros e reportagens ligadas ao mundo literário. Nos últimos meses, o viés informativo, preponderante por muito tempo, foi substituído por uma linha mais artística, graças, sobretudo, à criação das colunas de Eduardo Vieira e Luiz Henrique Ramos. Esses dois amigos foram responsáveis pela renovação do LLS e pelo que considero um sopro no fortalecimento de um possível “movimento literário” no estado. Vamos ver (e viver) os próximos passos…

Nas últimas duas semanas, pensei em encerrar as atividades do blog com um poema, já que eu mesmo também trouxe alguns textos pessoais ao ar, na coluna Autoral. No entanto, não consegui escrever nada capaz de homenagear essa página que, embora não tão profissional, foi parte importante da minha vida. Ela me proporcionou mais conhecimento, mais contatos e mais senso de organização, além de uma reaproximação essencial com a literatura e o lirismo, instrumentos de grande valor para mergulhar e, ao mesmo tempo, fugir das duras verdades dos dias atuais.

A decisão de encerrar o Livro Leve Solto não foi fácil, mas julguei que este seria o melhor caminho, inclusive para não correr o risco de abandonar o blog por muito tempo. Em agosto, estarei viajando para o meu primeiro intercâmbio e achei que não seria conveniente manter o compromisso de atualizar a página durante a viagem. Preferi encerrá-la em grande estilo, com dois belíssimos poemas de Eduardo Vieira e Luiz Henrique Ramos, publicados nos últimos dias.

Aqui na plataforma WordPress, os 297 posts do blog tiveram 20.058 visualizações e 53 comentários (até agora). A página do LLS no Facebook recebeu 1.187 curtidas e, no Twitter, 69 seguidores. Os números podem não ser tão expressivos no mundo da internet, mas muitos foram comemorados por mim e serviram de estímulo para dar continuidade à “missão” de valorizar, discutir, expor e viver a literatura e a educação. Que, em outros momentos e de outras formas, eu possa retomar esse caminho, contando novamente com o apoio de vocês.

Muito obrigado e até a próxima!

Tiago Cisneiros

FIM

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eu escolhi amar | Por Luiz Henrique Ramos

juro. não é tão difícil quanto parece. você vai percebendo, enquanto cresce, que existem poucas coisas na vida que valem, verdadeiramente, a pena. a duras penas, você vai realizando um pouco de tudo e nota que apenas coisas poucas, das que há um pouco lhe significavam tanto, são, agora, efetivamente importantes. logo você, que se preocupava tanto, que achava que o mundo acabaria, que você não seria mais que “mais um”. e se desesperava, acreditando que não era possível só ser o que era, e que havia mais: um mundo novo, e seu, onde você seria o centro das atenções, o único e enorme baobá fincado no meio de tudo, cujas raízes sustentavam o peso dos céus, como Atlas.

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aí, você mergulha de cabeça nessa ideia e… quebra a cara. de cara quebrada, recolhe os cacos do chão, humildemente. vê que sua derrota não derrubou consigo o resto do muro de berlim. as luzes da eiffel ainda piscavam, enquanto os casais brindavam um vinho do porto à beira do coliseu. o monge continuava quieto e calado, ao passo que as pessoas continuavam abrindo os braços para a fotografia aos pés do Redentor, como se abraçassem o mundo que você ousava pensar que sustentava nas costas.

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e isso tudo amolece o casco que te protegia e te separava do que havia lá fora. você respeita, escuta, valoriza, acredita, e, então escolhe amar mais. reconhece que as diferenças que lhe afastavam, hoje, são ímãs oferecendo acolhida para o que não é igual, mas tampouco excludente; para o que é capaz de reunir o melhor de dois mundos numa única realidade, sequer carente de explicação: a sua.

Luiz Henrique Ramos tem 21 anos, é recifense e assina uma coluna quinzenal no Livro Leve Solto, aos sábados.

* Excepcionalmente, Luiz Henrique Ramos está publicando em dois sábados consecutivos. Foi um pedido do autor do blog, Tiago Cisneiros, para dar mais beleza aos dias de despedida do Livro Leve Solto.  Em breve, um post detalhará os motivos que levam a página a “fechar as portas” no fim de junho, após mais de 2 anos no ar.

Para quem quiser continuar tendo acesso a textos como esse, a dica é visitar o tenho uma página em branco, blog que Luiz Henrique está reativando para continuar publicando versos e prosas.